quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um Poema Aceso


a luz da casa escura
tem vultos azuis

a palavra pede para nascer
da casca do ovo

não há esboço

não há rima,nem pescoço

a poesia em sua matéria prima
a idéia ainda com seus parafusos

e aquele silêncio sobre a mesa
o chá na xícara
a água no açúcar

estarão no poema

o afago que revira o cabelo em versos
a maçã na sexta(que ainda virá),a vertigem das sílabas,
os intestinos e seus rumores
estarão no poema

há uma palavra que despede-se
pelas vielas dos sons

e aquele silêncio ainda sobre a mesa
sopra o poema
mas o relógio continua
mastigando o tempo

como se o fim penetrasse as paredes
uma faísca na gasolina incendeia
o poema


Bruno Fortkamp

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