
a luz da casa escura
tem vultos azuis
a palavra pede para nascer
da casca do ovo
não há esboço
não há rima,nem pescoço
a poesia em sua matéria prima
a idéia ainda com seus parafusos
e aquele silêncio sobre a mesa
o chá na xícara
a água no açúcar
estarão no poema
o afago que revira o cabelo em versos
a maçã na sexta(que ainda virá),a vertigem das sílabas,
os intestinos e seus rumores
estarão no poema
há uma palavra que despede-se
pelas vielas dos sons
e aquele silêncio ainda sobre a mesa
sopra o poema
mas o relógio continua
mastigando o tempo
como se o fim penetrasse as paredes
uma faísca na gasolina incendeia
o poema
Bruno Fortkamp
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