quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quem realmente é o outro?

Em nossas caminhadas para a escola, trabalho ou ate numa saída casual passamos por pessoas que nunca vimos. Algumas encontramos mais do que apenas uma ou duas vezes, geralmente virando uma rotina em encontrá-las, mas não falamos nada, só olhamos. Para cada pessoa que passamos em um instante os olhares se cruzam. Quando entramos em um ônibus, por exemplo, sempre procuramos lugares onde o banco ao lado esteja vazio, mas olhamos cada um que está nos outros bancos. À distância, a desconfiança cresce a cada dia entre as pessoas.
Em uma das poesias de Gleuso D. Duarte diz: “... O outro, enfim, é cada uma das incontáveis pessoas que você encontrará nos caminhos da vida... Mas o outro é sempre uma criatura humana, é seu irmão. O outro é alguém igualzinho a você: a mesma natureza humana, a mesma sede de afeto, um desejo igual de liberdade, e a mesma ânsia de viver...”.
Mas são desses outros que precisamos para viver, muitas vezes. Mesmo não sabendo quem são essas pessoas, elas irão ajudar no crescimento de todos, pois, o colega de classe de aula que nunca falou contigo é outro que algum dia pode ser o dono da empresa que irá te contratar. O padeiro que conhecemos só porque pegamos pão com ele, mas que nunca conversamos, também nos ajuda de alguma forma. O mundo por maior que pareça ser, dá muitas voltas. A palavra nunca é forte demais para ser dita nessa sociedade. Por exemplo, nunca verei novamente tal pessoa, então poder dizer agora o que quiser a ele, é um erro, pois poderá encontrar essa mesma pessoa que você tanto falou mal um dia, e pior, quem sabe seja quem ira te salvar de alguma maneira.
Os outros sempre tiveram presentes em nossas vidas. Desde que nascemos somos apresentados aos outros. São eles que nos terrorizam, nenhum bandido ou assombração é tão ruim quanto os outros. São eles que sempre estão falando da gente o que devemos fazer. Um exemplo bastante simples é a de nossos pais, como diz em um poema de Martha Medeiros: “As crianças acordavam de manhã já pensando neles. Quer dizer, as crianças não: as mamães. Era com OS OUTROS que elas nos ameaçavam caso não nos comportássemos direito Se não estudássemos, OS OUTROS nos chamariam de burros. Se não fôssemos amigos de toda a classe, OS OUTROS nos apelidariam de bicho-do-mato. Se não emprestássemos nossos brinquedos, OS OUTROS nunca mais brincariam conosco. E o pior é que as mães não mantinham a lógica do seu pensamento. Mas mãe, todo mundo dorme na casa dos amigos? Eu lá quero saber DOS OUTROS? Só me interessa você! Era de pirar a cabeça de qualquer um. Não víamos a hora de crescer para nos vermos livres daquela perseguição. Veio a adolescência, e que desespero: descobrimos que OS OUTROS estavam mais fortes do que nunca”.
Sempre os outros estiveram presentes em nossas vidas e continuarão sempre ao nosso redor. A maioria da humanidade não para pra pensar o porquê vemos tantas vezes a mesma pessoa e nunca conversamos com eles. Terá um motivo ou somente é vago como nosso surgimento?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Qual é o meu olhar?

Um olhar...
que embriaga
a cada verso de ironia.
Um olhar...
que procura uma luz
a cada desilusão
Um olhar...
que não é apenas um olhar,
ele não só vê,
mas ouve, fala e sente.
Um olhar...
que esconde uma incerteza do saber,
de um amanhã,
que não sabe se chegará.
Um olhar...
que não só procura algo inexplicável,
mas mostra também uma alma indomável.

domingo, 27 de dezembro de 2009

A Procura do Perfeito

As pessoas procuram um líder, alguém para se inspirar, uma pessoa perfeita para se casar ou um filho ideal. O enigma para muitos é a noção do “eu”, que mesmo sem saber de certas ações cometidas por si, sabe que são somente de um “eu”.
Procurar o melhor não é crime, é ótimo, como procuramos esse melhor que é o problema.
Uma coisa é certa, não existe pessoa perfeita, mas existe a construção de alguém melhor para chegar ao mais próximo de um perfeito.
Todos têm personalidades diferentes, e sinceramente graças a deus, porque o mundo seria muito sem cor, sem cheiro, sem gosto e sem graça se tudo fosse único e perfeito demais.
Platão: Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa.
Bob Marley: Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais.
Como muitos sabem Bob Marley usou drogas, mas quem sabe por ser tão diferente em seus pensamentos, não encontrou ninguém para o entender, entrando nesse ciclo vicioso, não é desculpa, mas é um motivo, não ser compreendido leva as pessoas a ações erradas na maioria das vezes que futuramente iram prejudica-los. Na procura do perfeito, descriminamos. Quantas vezes excluímos doentes mentais, pessoas de raças e opções sexuais diferentes?
Scrooge: Só existe justiça entre iguais.
A sociedade é uma mistura maravilhosa, que temos que aprender a conviver com ela.
Dois exemplos dignos de pena é aquela pessoa que ainda acredita que possa existir alguém perfeito para se casar e que seu filho é perfeito. E isso não se chama amor também, porque amor é aquele que você vê seus defeitos e qualidades e aceita como ele é, com seus erros e acertos, ser cego pensando que alguém é perfeito é entrar numa ilusão que quando acabar ira te destruir.
Existe um tipo de perfeito para cada um de nós, mas se torna perfeito quando aceitamos também seus erros, esse é o único perfeito que existe. O que para mim seria perfeito, para outro pode ser que não é, vai da visão de cada um. Formamos um perfil do que é perfeito.
A mídia rotulou em canais de tv, rádios etc., o que é perfeito para eles, e muitos vão atrás dessa lógica, o exemplo mais comum é em relação a beleza, é só olhar como a sociedade diz ser o perfil de alguém perfeito, alguns acima do peso já estão fora dessa lista da mídia, sem falar outros detalhes.
Em um começo de uma das poesias de Naiara Cristina Bueno diz:
“As diferenças existem,
E sempre vão existir.
Não importa como você é,
Mas sim o que faz.
O que faz pra me deixar feliz,
Ou o que faz pra me fazer sofrer.
As mentiras que conta,
As verdades que não conheço...”
As diferenças estão presentes no nosso dia a dia, e ter diferença não significa que não possa chegar o mais próximo de ser perfeito.
Sempre o perfeito vai estar nos olhos de quem à enxerga.
Ser diferente é a perfeição do universo.